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Governo terá que bancar custo da nova Faculdade de Medicina

Um dos critérios para a seleção de São José pelo MEC é o município ter um hospital com potencial de escola para aulas práticas, o que representa um custo alto; APM lança alerta sobre a qualidade do ensino

Xandu Alves
São José dos Campos

A Prefeitura de São José dos Campos terá que arcar com parte dos custos do aprendizado de alunos da futura Faculdade de Medicina da cidade, caso o município seja escolhido pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura) para sediar o curso.
Um dos critérios para a seleção, que será definida até 20 de dezembro, é o município ter um “hospital de ensino ou unidade hospitalar com potencial para hospital de ensino”.
É nesta unidade que alunos da Faculdade de Medicina, que será privada, terão aulas práticas no quinto e sexto ano do curso. Só depois é que eles terão que fazer residência.
Em São José dos Campos, que não conta com hospital-escola, a unidade que servirá de referência para os alunos da futura instituição será o Hospital Municipal, na região leste, administrado pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina).
Antes do quinto e sexto ano, segundo as regras do MEC para as novas faculdades, os alunos terão que passar por unidades básicas de saúde. São José conta com 40 delas.
Todos esses custos de aprendizagem nas unidades públicas ficarão a cargo da administração, e não da instituição de ensino que administrará a Faculdade de Medicina em São José dos Campos.
“Quem vai pagar essa conta? A cidade, o governo federal, as instituições? O custo de um leito de aprendizagem é mais alto do que um leito SUS (Sistema Único de Saúde)”, disse o médico Sérgio Ramos, presidente da Associação Paulista de Medicina em São José.

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Pesquisa inédita sobre a relação entre médicos, dentistas e fisioterapeutas com os planos de saúd

A Associação Paulista de Medicina (APM) sediou, nesta terça-feira (23), uma entrevista coletiva à imprensa para apresentar pesquisa inédita sobre a relação entre médicos, dentistas e fisioterapeutas com os planos de saúde, realizada entre 3 e 14 de abril pela APM com mais de 5 mil profissionais. Além disso, também foi explicada a mecânica do movimento que será realizado pelas entidades médicas, outros profissionais da saúde e entidades da sociedade civil na próxima quinta-feira, 25 de abril, Dia Nacional de Alerta aos Planos de Saúde, na Avenida Paulista.

“Queremos alertar a sociedade que os problemas com as operadoras de planos de saúde persistem, apesar de termos iniciado negociações há cerca de três anos. Houve negociações nesse período, mas, perto do tamanho dos problemas com remuneração, ausência de contratos justos e interferência das empresas no exercício da profissão, as melhorias foram ínfimas. E quem mais sai prejudicado com a situação é o paciente”, afirmou o presidente da APM, Florisval Meinão.

Também representaram a entidade os diretores de Defesa Profissional João Sobreira de Moura Neto e Marun David Cury. Pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), participou o coordenador do Departamento de Comunicação, João Ladislau Rosa. Ele ressaltou que, nos últimos anos, o setor de saúde suplementar tem movimentado cerca de R$ 80 bilhões para atender menos de 50 milhões de usuários, mesma quantia que o Sistema Único de Saúde (SUS) tem para cuidar de 150 milhões de brasileiros. “Nas negociações, os planos reclamam que não têm dinheiro, no entanto, já estão atraindo inclusive capital estrangeiro, que só investe em mercados promissores. Infelizmente eles trabalham com a lógica do lucro, e não da atenção à saúde.”