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8 em cada 10 pacientes de planos de saúde tiveram problemas nos últimos 24 meses

De acordo com pesquisa encomendada pela Associação Paulista de Medicina (APM) ao Instituto Datafolha, 79% dos usuários que recorreram aos planos de saúde nos últimos 24 meses relataram problemas. Se considerarmos 10,4 milhões de usuários com mais de 18 anos no estado de São Paulo que utilizaram os serviços nos últimos 24 meses, temos 8,2 milhões de pacientes apresentando queixas. Além disso, a média de problemas é de 4,3 por pessoa, o resulta, para esse público específico, total superior a 32 milhões de problemas em dois anos.
Os dados da pesquisa foram divulgados nesta quinta-feira (17) em entrevista coletiva à imprensa, da qual participaram o presidente da APM, Florisval Meinão, o diretor de Defesa Profissional João Sobreira de Moura Neto, o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), João Ladislau Rosa, o presidente da Academia de Medicina de São Paulo, Affonso Meira, e o secretário de Relações Sindicais e Associativas do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Otelo Chino Junior.
Entre as reclamações mais recorrentes dos usuários estão a dificuldade para marcar consultas, exames, cirurgias e procedimentos de maior custo e falhas no atendimento em pronto-socorro. “Os pacientes pagam os planos de saúde justamente para fugir das dificuldades de acesso enfrentadas no Sistema Único de Saúde e se deparam com uma série de problemas. É preciso que as empresas ampliem a rede credenciada urgentemente”, afirma Meinão.
Ainda segundo a pesquisa, 53% dos pacientes concordam que os planos de saúde colocam restrições e obstáculos ao trabalho dos médicos e 67% têm a percepção de que os planos dificultam a realização de exames de maior custo.
Para Meira, as empresas estão interessadas apenas em captar mais usuários, sem se preocupar em atender bem. “Como médico, fico feliz de que não há queixas específicas sobre má qualidade dos profissionais, por exemplo.”
Ladislau Rosa faz uma destaque importante. “A saúde não é um produto de consumo, e as operadoras não estão cuidando bem da saúde de seus usuários.”
Por sua vez, o representante do Simesp demonstra preocupação em relação à aglutinação dos planos em grandes empresas, por meio de fusões e aquisições, inclusive por parte de empresas multinacionais, o que tende a dificultar ainda mais o acesso por parte dos usuários.

 

Leia a pesquisa na íntegra

 

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Médicos, Dentistas e Fisioterapeutas reprovam Planos de Saúde

Segundo os profissionais das três áreas, grande número de pacientes de planos de saúde tem recorrido ao SUS e ao atendimento privado em função de obstáculos colocados pelas empresas
 
Pesquisa inédita realizada pela Associação Paulista de Medicina (APM), em parceria com 22 especialidades médicas (lista abaixo), com o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo e a Federação Nacional de Associações de Prestadores de Serviço de Fisioterapia, revela alto grau de insatisfação dos prestadores de serviço das três áreas com os planos de saúde. 
 
Isso ocorre principalmente em virtude de abusos, como pressões para reduzir solicitações de exames essenciais, dificuldades para receber pelos serviços prestados (glosas), restrição a procedimentos de alta complexidade, defasagem dos honorários e interferência nos prazos de internação, entre outros nocivos à correta prática e à assistência segura aos pacientes.
 
A pesquisa, que também tem apoio do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, dos Sindicatos dos Médicos, da Academia de Medicina de São Paulo e da Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas, foi realizada entre os dias 3 e 14 de abril, com uma base de amostragem recorde: cerca de 5 mil prestadores, somadas as três profissões. Seu objetivo é conhecer a opinião de médicos especialistas, cirurgiões-dentistas e fisioterapeutas sobre a relação com os planos e seguros saúde.
 
Hoje, 80% dos médicos, 88% dos cirurgiões-dentistas e 87% dos fisioterapeutas afirmam que já se descredenciaram ou pretendem se descredenciar de planos de saúde.
 
Quando solicitados a fazer uma avaliação geral dos planos, somente 6% dos médicos cravaram índices ótimo (2%) e bom (4%). No caso dos cirurgiões-dentistas, houve 1% para ótimo e 2% para bom. Já entre os fisioterapeutas, nenhum dos pesquisados avaliou a assistência na saúde suplementar como ótima ou boa.
 
Os índices altíssimos de ruim/péssimo e uma parcela menor de regular evidenciam que o sistema não cumpre seu papel, se interpretada a opinião dos profissionais. Afinal, em se tratando de cuidados à saúde e à vida de seres humanos, até o regular é péssimo.
 
Sobre práticas comuns que interferem na assistência, as três primeiras apontadas pelos fisioterapeutas foram: glosas indevidas e/ou lineares (89%); restrição ao número de atendimentos fisioterapêuticos em ambulatório (87%); realizar substituição de códigos de procedimentos, sempre para valores menores (87%).
 
Os cirurgiões-dentistas apontam a exigência de raio-X inicial e final (84%); a não autorização de procedimentos (71%); e as glosas imotivadas (67%).
 
Os médicos, por sua vez, indicam, nos três primeiros lugares de ações abusivas, a não autorização de procedimentos ou medidas terapêuticas (77%); a restrição a procedimentos de alta complexidade (69%); e ações para dificultar atos e diagnósticos terapêuticos mediante a designação de auditores (69%). Outro ponto bastante citado foi a interferência no tempo de internação dos pacientes (42%).
 
Obviamente, com tantos problemas no dia a dia, os índices de insatisfação são estratosféricos. O item remuneração registra a insatisfação de 98% dos médicos, 97% dos cirurgiões-dentistas e 98% dos fisioterapeutas. Vale destacar que é quase unanimidade nas três profissões a percepção de que não receberam reajustes que permitam recompor satisfatoriamente os custos envolvidos na prática diária: médicos (97%), cirurgiões-dentistas (97%) e fisioterapeutas (96%).
 
Essas e outras distorções referentes à inexistência de cláusulas contratuais com critério e periodicidade de reajuste levaram ao aumento da carga de trabalho: médicos (83%), cirurgiões-dentistas (80%) e fisioterapeutas (87%).
 
A desvalorização dos prestadores de serviço tem graves reflexos no atendimento aos pacientes. Um exemplo: médicos (61%), dentistas (70%) e fisioterapeutas (58%) confirmam que reduziram o número de procedimentos ou cirurgias em virtude da má remuneração.
 
Ainda segundo os profissionais das três áreas, um grande número de pacientes de planos de saúde tem recorrido ao SUS e ao atendimento privado em função de obstáculos colocados pelas empresas.