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Univap pretende lançar curso de medicina em São José dos Campos

A Universidade do Vale do Paraíba (Univap), emSão José dos Campos, e outras duas universidades  pretendem lançar novos cursos de medicina na região. A abertura das faculdades depende de autorização doMinistério da Educação (MEC).

A pasta anunciou recentemente a abertura de um edital para liberar novos cursos no país. A medida faz parte do Programa Mais Médicos.Atualmente, a região tem curso de medicina apenas em Taubaté e em Bragança Paulista com mensalidades que variam entre R$ 3,9 mil a R$ 4,4 mil  por mês. Os dois cursos têm mais de 40 anos de tradição.

Leia mais e veja o vídeo no site do G1

Cremesp faz estudo sobre demografia médica

ESTUDO DE PROJEÇÃO “CONCENTRAÇÃO DE MÉDICOS NO BRASIL EM 2020”

Em 2020, mesmo sem novas vagas em cursos de Medicina, haverá explosão da relação médico-habitante e super-concentração de médicos em diversos Estados, capitais e municípios de médio porte.
Brasil atingirá em 2020 a razão de 2,20 médicos por 1.000 habitantes, sem necessidade de abrir mais escolas médicas.
Com anúncio de 2.415 novas vagas em cursos de Medicina, e sem uma política adequada para distribuição de médicos, o governo federal irá acentuar as desigualdades no acesso à assistência médica.
Para justificar a abertura de cursos, Ministério da Educação utiliza parâmetro sem fundamentação e indicadores com fraca evidência da real necessidade de médicos.
Sem dar garantias de qualidade na expansão do ensino médico, sem docentes qualificados e sem vagas de Residência Médica para os novos formandos, governo federal poderá colocar em risco a saúde da população.Clique na imagem para ler o estudo:

Densidade Médica

Densidade Médica

Escândalo: número de vagas em medicina volta a subir

O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou por unanimidade, no dia 13 de fevereiro último, a restituição de 150 vagas em quatro cursos de medicina que haviam sido suspensos pela Secretaria de Educação Superior (Sesu), a maioria em 2010.

São eles:
Centro de Ensino Superior de Valença – Rio de Janeiro (20 vagas a mais, restituindo o total de 100 vagas);
Universidade Severino Sombra de Vassouras – Rio de Janeiro (80 vagas a mais, restituindo o total de 100 vagas);
Universidade Nilton Lins – Amazonas (40 vagas a mais, restituindo o total de 100 vagas); e
Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central – Brasília (10 vagas a mais, restituindo o total de 80 vagas)

Além disso, o Conselho deu parecer favorável ao recredenciamento do curso de medicina da Faculdade Ingá – Maringá/PR que está sub judice e suspenso pelo Sesu. A decisão do CNE é passível de recursos, que podem ser apresentados no prazo de 30 dias da publicação no Diário Oficial da União.

As entidades médicas condenam o retrocesso e também criticam a abertura indiscriminada de cursos sem qualidade, uma marca das últimas décadas. Hoje são 185 escolas médicas no país. Apenas de 2000 a 2010, o total havia saltado de 100 para 181, grande parte delas privadas. “A falta de convênio com hospital-escola para a realização do internato, a ausência de corpo docente qualificado e o número excessivo de alunos por turma estão entre os maiores absurdos”, afirma o diretor de Defesa Profissional adjunto da Associação Paulista de Medicina, Marun David Cury.

O médico Antonio Carlos Nassif, ex-presidente da Associação Médica Brasileira e integrante da comissão de supervisão dos cursos de medicina formada pelo Ministério da Educação em 2008, lamenta este posicionamento do Conselho. “A Sesu desmoraliza-se e perde força de decisão diante desses fatos. Da mesma forma, a Comissão de Especialistas do Ensino Médico, que pelos seus membros visitou e emitiu relatórios de todas essas IEs [instituições de ensino]. Penso que não há mais sentido na sua continuidade. Nossos trabalhos honorificamente realizados com muito sacrifício foram desmerecidos e jogados no chão”, afirma Nassif no site que mantém sobre o tema: http://www.escolasmedicas.com.br.

Em novembro de 2011, o Ministério da Educação anunciou à mídia e à sociedade o corte de 512 vagas em escolas médicas com baixos conceitos de avaliação e, na mesma semana, permitiu a abertura de seis novos cursos de graduação (Faculdade Santa Marcelina – São Paulo/SP, Faculdade de Ciências da Saúde – Barretos/SP, Universidade de Franca/SP, Universidade Federal de São João Del Rei – Divinópolis/MG, Faculdade Ceres – São José do Rio Preto/SP e Cesumar – Maringá/PR), a maioria particular, com outras 480 vagas.

Também foram restituídas, ainda em novembro último, as vagas que haviam sido cortadas recentemente na Faculdade São Lucas e nas Faculdades Integradas Aparício Carvalho, ambas em Porto Velho/RO. Juntas elas podem receber novamente 180 alunos por ano.

O Brasil já possui 372 mil médicos, havendo crescimento de 530% desde 1970, segundo o Conselho Federal de Medicina, enquanto o aumento da população foi de 105% no mesmo período. No mínimo 16,8 mil profissionais devem ingressar na prática médica a cada ano, daqui para frente. No Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) do ano passado, 23 das 141 instituições avaliadas tiveram notas ruins, entre 1 e 2, em medicina, sendo que nenhuma delas alcançou a nota máxima, 5.

Assim, fica a dúvida sobre quais critérios objetivos o Conselho Nacional de Educação e o MEC assumirão para justificar tais retrocessos, tendo em vista que os resultados do Enade e da avaliação feita por especialistas parecem não mais ser considerados.