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Editorial Folha de São Paulo sobre exame CREMESP

Editoriais: Cuidar dos médicos

É preocupante o resultado do exame de proficiência aplicado pelo conselho paulista de médicos aos alunos que se formam neste ano nas faculdades de medicina do Estado de São Paulo.

Nada menos que 54,5% dos futuros profissionais formados no Estado mais rico do país não acertaram nem 60% das 120 questões. São alunos que não dominam o conteúdo básico necessário para cuidar da saúde da população e, por isso, foram reprovados pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo).

A constatação da inépcia de mais da metade dos formandos já seria razão suficiente para inquietação quanto à qualidade dos cursos de medicina. A situação, porém, é ainda mais perturbadora: a reprovação no teste não impede o exercício da profissão.

Longe de serem um caso à parte, os resultados deste ano apenas repetem um padrão assustador. Desde 2005, quando o exame foi aplicado pela primeira vez, o desempenho dos alunos tem sido pífio. Em 2008, por exemplo, o índice de reprovação chegou a 61%.

Apesar do histórico negativo, o médico Bráulio Luna Filho, coordenador do exame do Cremesp, contava com cerca de 70% de aprovação. Segundo ele, países como Canadá e Estados Unidos têm, em média, taxa de 95% de aprovação.

Talvez o coordenador do Cremesp imaginasse que o resultado de 2012 seria melhor porque, pela primeira vez, fazer a prova foi pré-requisito para o registro profissional. Antes, faculdades de prestígio, como USP e Unicamp, boicotavam a avaliação. Enquanto 418 alunos fizeram o teste em 2011, agora foram quase 2.500.

Ainda que sejam pertinentes algumas críticas ao exame –em vez de se restringir a questões teóricas, deveria medir também a aptidão prática–, sua aplicação a todos os formandos permite um diagnóstico mais preciso sobre os cursos de medicina no Estado.

A formação dos médicos, não há como fugir à conclusão, é precária. Permitir que tais profissionais ingressem no mercado de trabalho é uma temeridade. Na medicina, o desconhecimento técnico pode ter consequências funestas.

O que está em jogo não é o interesse de proprietários de faculdades, mas a segurança e a saúde dos pacientes. Passou da hora de o Congresso aprovar um exame de habilitação para a medicina. Não faz sentido permitir que a população fique nas mãos de médicos que não têm o conhecimento mínimo necessário.

(http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/1198612-editoriais-cuidar-dos-medicos.shtml) 10/12/2012

Pesquisa SOGESP-Datafolha aponta interferência de planos na G.O.

Em coletiva à imprensa em 30 de agosto, às 11h, em meio ao XVII Congresso Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, a SOGESP apresenta pesquisa Datafolha especialmente encomendada para dimensionar os problemas que os tocoginecologistas de São Paulo enfrentam no dia a dia da saúde suplementar.

Os resultados são estarrecedores; confirmam a sensação de que está se tornando inviável prestar serviço aos convênios, particularmente em virtude dos honorários irrisórios e da desmedida interferência na prática da especialidade. As pressões são constantes, inclusive nas internações, quando estão em jogo saúde e as vidas da mãe e do bebê.

Na oportunidade será anunciado também dado que evidencia alto índice de abandono da prática da obstetrícia no estado.

Coletiva SOGESP-Datafolha
Data – 30 de agosto
Horário – 11h
Local – Transamérica Expocenter, Avenida Doutor Mário Vilas Boas Rodrigues, 387 – Santo Amaro São Paulo

Médicos temem exagero na psiquiatria

Médicos temem exagero na psiquiatria

Especialistas alegam que alterações nas definições de doenças mentais levariam à prescrição de drogas a gente saudável

30 de janeiro de 2012 |

NOVA YORK – O Estado de S.Paulo
Um esforço que promete ampliar as definições de doenças mentais está provocando revolta entre profissionais de saúde nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. Um painel organizado pela Associação Psiquiátrica Americana propõe mudanças para o guia da indústria farmacêutica para doenças mentais, que determina como os pacientes são diagnosticados e tratados, e se as seguradoras devem arcar com os custos.

A nova edição do Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais deve ser publicado no próximo ano. O rascunho já causa alvoroço entre médicos preocupados com o possível aumento no número de pacientes que deverão ser tratados com medicamentos.

O novo guia deixaria menos rigorosos os critérios de diagnóstico para certas doenças já previstas no manual em vigor e qualificaria como doenças comportamentos considerados normais até agora, como ter acessos de raiva mais de três vezes por semana ou falta de libido.

“As mudanças podem disseminar tratamentos desnecessários e perigosos para pessoas saudáveis”, alerta Allen Frances, psiquiatra que ajudou a definir as linhas de conduta atuais.

“Frustrações cotidianas, sofrimentos e excentricidades estão sendo redefinidas como doenças psiquiátricas e isso pode levar a terapias medicamentosas”, afirma Frances, professor emérito da Universidade Duke que vive em San Diego, na Califórnia. “Isso é uma expansão nas fronteiras da psiquiatria.”

Ele teme que a pressão da indústria farmacêutica para difundir ainda mais o uso de remédios e algumas atrações televisivas que descrevem supostas doenças psiquiátricas possam produzir “uma epidemia”.

Darrel Regir, diretor de pesquisa do grupo que está revisando o guia, afirma que seus críticos partem de uma perspectiva errônea: a crença de que “aconselhamento” é sempre melhor que tratamento farmacológico ou de que “não existem doenças psiquiátricas, que só servem para estigmatizar as pessoas”.

Críticas. Uma carta divulgada em outubro pela Associação Americana de Psicologia e assinada por 10,8 mil pessoas, incluindo psicólogos, psiquiatras e ativistas, critica a revisão do manual. A Associação Britânica de Psicologia escreveu documento semelhante em junho.

A mudança dos critérios para diagnóstico do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), uma doença que dificulta o controle sobre o foco e o comportamento, mereceu críticas dos especialistas.

No manual em vigor, o diagnóstico de TDAH exige a identificação de, pelo menos, seis sintomas nos adultos, sendo que alguns já deveriam ter se manifestado antes dos 7 anos. Na nova versão seriam necessários apenas quatro sintomas, sem a exigência do seu diagnóstico prévio na infância.

“As definições para as doenças mentais estão se tornando muit0 porosas, estão perdendo sentido”, afirma Frances. “Você trata excessivamente pessoas saudáveis e tira recursos de quem realmente precisa.”

O novo manual também define uma doença chamada Transtorno do Interesse e Excitação Sexual Feminino. A proposta define a doença como falta ou redução do interesse em sexo e fantasias eróticas, normalmente ligada ao estresse.

O Transtorno de Desregulação do Humor Problemático, outra novidade, é caracterizado como explosões temperamentais que ocorrem mais de três vezes por semana, sem proporção com os fatos que as motivaram. “Não há nenhuma evidência científica de que o tratamento desses problemas menores trará algum tipo de melhora nos mais sérios”, diz a psicóloga Donna Rockwell.

Um em cada cinco americanos experimentaram algum tipo de problema mental no ano passado, de acordo com um relatório governamental. De acordo com o NIH, órgão público de pesquisa em saúde, nos Estados Unidos, os custos na área psiquiátrica cresceram 63% entre 1996 e 2006, alcançando o custo de US$ 57,5 bilhões (cerca de R$ 100 bilhões). / AP