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Vivi e vivo uma medicina de sonhos, vocês me mostram uma realidade cruel …

Por Jarbas Magalhães

Tema: O ginecologista deve ser o clínico da mulher? CTV 10 – sala José Júlio de Azevedo Tedesco. Coordenador: Jarbas Magalhães. A favor: Geraldo Rodrigues de Lima. Contra: Gerson Botacini das Dores.

A favor: O interessante tema foi abordado inicialmente pelo Professor Geraldo Rodrigues de Lima. O professor contou um pouco de sua vida, comentando que sua formação foi eminentemente clinica, fruto de seu convívio com os mais famosos clínicos da Escola Paulista de Medicina. Somente após sua formação clinica é que se interessou pela Obstetrícia e pela Ginecologia. Ele reforçou que seus conhecimentos clínicos ajudaram sobremaneira o seu raciocínio diagnóstico e condutas terapêuticas nas duas novas especialidades (GO). Concluiu dizendo que hoje o gineco-obstetra tem uma formação muito especializada e isso frequentemente o leva a entender a mulher de forma fragmentada. Com isso, não usa os fundamentos clínicos mais básicos e frequentemente vive de encaminhar pacientes a outros especialistas, perdendo a oportunidade de se transformar no clinico da mulher.

Contra:O professor Gerson Botacini, discorreu brilhantemente sobre o tema, ao considerar a complexidade da clinica dos dias de hoje e argumentar que o gineco-obstetra não tem condições de dominar a arte da clica médica em toda a sua grandeza. Mostrou também que em várias situações, no início de sua carreira, atuou como clinico, especialmente em comunidades mais pobres, com muito sucesso. Com a chegada dos convênios, porém, e das cooperativas e seguradoras, o trabalho do médico foi sendo brutalmente explorado e desvalorizado, levando-o a realizar consultas de poucos minutos, onde o raciocínio clínico teve de ser praticamente abandonado. Como um discípulo e aluno do professor Geraldo, Botacini sentia-se entristecido de tratar de uma realidade tão ruím para o GO, limitado a praticar um medicina superficial e de encaminhamentos. Chamou os convênios e cooperativas de uma nova praga, que denominou de convenio sp .

Discussão: O coordenador da controvérsia, professor Jarbas Magalhaes, comentou as duas posições. Como se considera também um discípulo do Professor Geraldo, entende que o GO deveria ser o clinico da mulher, mas as colocações do professor Gerson eram importantes para entender a atual situação do GO, refém das operadoras de saúde e cooperativas. A plateia se posicionou, ora de um lado ora de outro, mas todos foram unânimes em dizer que embora o GO devesse ser o clinico da mulher , mas a realidade da exploração do exercício da medicina o afasta dessa possibilidade tão nobre. O professor Geraldo R. Lima encerrou a discussão dizendo: “Vivi e vivo uma medicina de sonhos, vocês me mostram uma realidade cruel … Porém não devemos desistir: devemos continuar a exercer e ensinar clinica”.

AMB repudia publicamente redução de honorários feita por Unimed

Em nota, associação diz que não é tolerável reduzir honorários dos médicos, uma vez que Unimed reajusta mensalidades dos clientes anualmente

A Associação Médica Brasileira (AMB), entidade que congrega Sociedades de Especialidades Médicas, o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), vem a público repudiar com veemência a atitude da UNIMED Fortaleza, que, de maneira coercitiva e arbitrária, está querendo reduzir os honorários dos profissionais radiologistas e patologistas clínicos, culminando com descredenciamento de clínicas e laboratório de reconhecida prestação de serviços de qualidade à população cearense.

Esclarecemos que a UNIMED Fortaleza é uma operadora de saúde que ao longo dos últimos anos não reajustou os honorários médicos desses profissionais, utilizando parâmetros de remuneração já extintos. Além disso, não é tolerável reduzir honorários dos médicos, quando sabemos que anualmente a UNIMED Fortaleza reajusta as mensalidades dos seus clientes.

A afirmação da UNIMED Fortaleza em seu comunicado justificando que essas ações de descredenciamento eram ajustes para atender a Resolução da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) carecem de veracidade, uma vez que a ANS estabelece prazos para o atendimento aos associados de planos de saúde. Portanto, descredenciamento em geral dificulta a vida dos usuários.

Esperamos que a UNIMED Fortaleza reveja esse posicionamento, inadequado para uma Cooperativa Médica, para que se volte aos verdadeiros princípios do Cooperativismo Médico, que nós todos defendemos.

Secretaria-Geral da Associação Médica Brasileira (AMB)
Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR)
Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML)