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Médicos de SP reivindicam reajuste de 20,54% para honorários dos planos de saúde

Representantes da Associação Paulista de Medicina (APM), Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Academia de Medicina de São Paulo e sociedades de especialidades se reuniram na última segunda-feira (22) em Assembleia Geral dos Médicos vinculados a planos de saúde para estabelecer a pauta de negociação para 2016, na sede do Simesp.
As principais reivindicações para melhorar a remuneração e as condições de trabalho foram aprovadas por unanimidade:
· Reajuste linear de 20,54% dos honorários de consultas e procedimentos
· Divisão dos procedimentos por porte e estabelecimento de honorários adequados
· Fator de qualidade com 100% para todos os médicos. Bonificação para os que satisfizerem os critérios: residência médica, título de especialista e pós-graduação
· Acompanhamento da manutenção de contratos adequados à Lei 13.003/14 entre médicos e planos de saúde
· Reajustes baseados unicamente em índices cheios. Não a todas as propostas de fracionamento de índices
· Reforçar o papel das sociedades estaduais de especialidades
· Avaliar o vínculo de trabalho entre médicos e operadoras que não concederem reajustes
Conforme esclarece o diretor adjunto de Defesa Profissional da APM, Marun David Cury, o estabelecimento do percentual de 20,54% se baseia na reposição da inflação do último ano e mais um percentual de recomposição das perdas acumuladas desde 1996.
“Temos que, todo ano, acrescentar um valor de recomposição das perdas passadas além do percentual de reajuste inflacionário, para nos aproximarmos do valor de honorários praticado vinte anos atrás”, disse Marun.
Renato Azevedo, ex-presidente do Cremesp, complementa: “A luta é continua, pois os interesses dos planos de saúde conflitam com os dos médicos. Precisamos estar sempre mobilizados, já tivemos grandes avanços nos últimos anos, por exemplo a Lei 13.003/14, que apesar de não ter saído exatamente como gostaríamos, é um marco legal de que todos os médicos devem ter contratos com índice de reajuste anual junto às operadoras de planos de saúde”.
Possibilidade de acionar a Justiça do Trabalho
O presidente da APM, Florisval Meinão, recorda que há cerca de dois anos, algumas entidades ligadas à área sindical do Paraná e Pernambuco recorreram ao Ministério do Trabalho para pleitear reajustes dos honorários médicos não concedidos pelos planos de saúde. “Após longa tramitação, foi reconhecida a relação de trabalho pela instância superior, e esta jurisdição pode auxiliar em nossa luta.”
“Desde o ano passado, demos um passo importante no movimento médico ao começar a abordar esta relação de trabalho nas negociações com os planos de saúde, uma vez que os médicos vendem sim sua força de trabalho, o que descaracteriza uma simples prestação de serviço”, defende o presidente do Simesp, Eder Gatti Fernandes.
Além dos representantes das entidades estaduais e sociedades de especialidades, a Assembleia reuniu dezenas de Regionais da APM, como Botucatu, Guarujá, Jaú, Lins, Mococa, São Bernardo do Campo, São José dos Campos e São José dos Campos, e entidades representantes dos cirurgiões-dentistas.
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ANS suspende venda de 70 planos de saúde

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) suspenderá, a partir de hoje quinta-feira (19), a comercialização de 70 planos de saúde de 11 operadoras, por desrespeito aos prazos máximos de atendimento e por outras queixas de natureza assistencial, como negativas indevidas de cobertura.

Veja os planos de saúde que tiveram a venda suspensa:

ALLIANZ SAÚDE S/A
410190991 SUPERIEUR 10
410197999 QUALITE 10
33371003 MAXI PME
433374008 SUPERIEUR 20 PME

ASSOCIAÇÃO AUXILIADORA DAS CLASSES LABORIOSAS
445882036 RUBI
466019116 PRIME
466021118 LINE

CAIXA SEGURADORA ESPECIALIZADA EM SAÚDE S/A
465105117 SAÚDE VITAL-CO
465106115 SAÚDE PRONTO

COOPUS – COOPERATIVA DE USUÁRIOS DO SISTEMA DE SAÚDE DE CAMPINAS
461455101 130.1.20 CA
461461105 130.1.30 CE

ECOLE SERVIÇOS MÉDICOS LTDA
400748994 ECOLE EMPRESARIAL BÁSICO
439023027 ECOLE BÁSICO

MINAS CENTER MED LTDA
435254018 HOSPITALAR I
459730093 CENTERMED ESPECIAL ENFERMARIA

PLAMED PLANO DE ASSISTENCIA MEDICA LTDA
412783998 PLAMED EMPRESARIAL GOLD I
427160992 PLANO EMPRESARIAL REFERENCIA – II

SALUTAR SAÚDE SEGURADORA S/A
457021089 ESPECIAL
457038083 EXECUTIVO
467305121 ESPECIAL ADESÃO SEM COPARTICIPAÇÃO SEM FRANQUIA

UNIMED PAULISTANA SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO
401044992 MASTER
401045991 BÁSICO
401046999 PLENO
445902034 INTEGRAL
445909031 INTEGRAL
445910035 SUPREMO
445916034 INTEGRAL
455209061 INTEGRAL UNIPLAN ADESÃO
455211063 PADRÃO UNIPLAN ADESÃO
455215066 SUPREMO UNIPLAN ADESÃO
455216064 SUPREMO UNIPLAN INDIVIDUAL
455236069 PADRÃO UNIPLAN EMPRESARIAL
455244060 SUPREMO UNIPLAN EMPRESARIAL
461092090 INTEGRAL UNIPLAN EMPRESARIAL C/ CO-PARTICIPAÇÃO
467975120 UP BRONZE ENFERMARIA UNIPLAN COPARTICIPACAO EMPRESARIAL
467988121 UP OURO UNIPLAN EMPRESARIAL
467993128 UP PRATA UNIPLAN COPARTICIPACAO EMPRESARIAL
468682139 SUPREMO UP UNIPLAN EMPRESARIAL
468683137 INTEGRAL UP UNIPLAN EMPRESARIAL
470423141 NEW BRONZE ENFERMARIA UNIPLAN EMPRESARIAL
470432141 PADRÃO ADV APARTAMENTO UNIPLAN EMPRESARIAL
470435145 NEW BRONZE ENFERMARIA INDIVIDUAL
701002998 PLENO 15.632 701003996 MASTER

UNIMED-RIO COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO DO RIO DE JANEIRO
467672126 UNIMED DELTA 2 DENTAL
467687124 UNIMED DELTA 2
467691122 UNIMED ALFA 2
467698120 UNIMED ÔMEGA PLUS DENTAL PPE
467699128 UNIMED ÔMEGA PLUS PPE
468251123 UNIPART DELTA 2
468252121 UNIPART BETA 2
470452145 UNIPART ALFA 2 (0114)
470459142 UNIMED BETA 2 (0114)

VIVA PLANOS DE SAÚDE LTDA
457591081 SAÚDE GLOBAL 30
460037091 SAÚDE QC – 12
460039098 SAÚDE QC – 11
460040091 SAÚDE QP – 11
460044094 SAUDE PE21 QC
460045092 SAUDE PE21 QP
460046091 SAÚDE GLOBAL 10
460047099 SAUDE PE110 QC
460049095 SAUDE PE120 QC
460050099 SAUDE PE120 QP
460051097 SAÚDE PE 11 QC
460053093 SAÚDE PE 12 QC
460054091 SAÚDE PE 11 QC COPA
460625096 SAÚDE GLOBAL 40
468019127 INTERCAP I
468021129 PREFERENCIAL I
468023125 GLOBAL I

Posição da APM sobre regras definidas pela ANS a respeito de cesarianas

Novas determinações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para a redução do número de cesarianas na saúde suplementar do Brasil foram anunciadas recentemente pelo atual Ministro da Saúde, Arthur Chioro.
 
Previstas para entrar em vigor em até seis meses, estabelecem que a gestante deve gozar de informações como o percentual de cirurgias cesáreas e partos normais da operadora de saúde, hospitais e médicos obstetras nominados pela beneficiária, quando assim for solicitado; além do preenchimento do “partograma” (registro gráfico do trabalho de parto) e do “cartão da gestante” (registro do acompanhamento pré-natal), que mostram condição fetal e materna.
 
Tais exigências, na análise da Associação Paulista de Medicina, não traduzem adequada solução para a diminuição do número de cesarianas no território nacional. Solidária à posição da SOGESP – Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, divulgada dias atrás, em jornais de grande circulação, a APM entende ser necessária uma reflexão e um debate apurado sobre o tema, com a participação dos ginecologistas e obstetras, pacientes, gestores públicos e privados, entre outros atores da saúde. Só assim será possível desenhar uma política eficaz para reduzir os altos índices de partos por cesáreas no Brasil, questão com a qual sempre nos preocupamos.
 
É essencial ir à raiz do problema que, em realidade, passa por pontos relevados pelo Ministério da Saúde e pela ANS na Resolução Normativa – RN 368. É hipocrisia ignorar que, atualmente, não há interesse por parte dos hospitais em investir em maternidades. Como necessitam de equilíbrio financeiro para manter as portas abertas e a assistência à gravidez é sub-remunerada por planos e seguros de saúde, muitas voltam-se à oncologia, ortopedia e cardiologia, parando de realizar partos.
 
Ao longo dos últimos anos, aliás, diversas maternidades desmontaram suas estruturas. Hoje são poucas a ter sala de internação apropriada, dependências para o trabalho de parto e equipes especializadas, 24 horas de plantão. O que os hospitais recebem mal cobre despesas com anestesistas, obstetras, neonatologistas e obstetriz, uma equipe básica para o parto.
 
A visão mercantilista dos planos e operadoras afeta igualmente os profissionais de medicina. O honorário médio pago pelos planos de saúde por um parto (seja normal ou cesárea), quando o médico tem sob sua responsabilidade duas vidas – a da mãe e da criança – é de R$ 500. É menos da metade do que o percebido por um câmera para filmar o nascimento.
 
É uma situação perigosa, humilhante e desestimulante, assim como o fato de o médico, por diversas vezes, ter de ficar por semanas à disposição para a assistência ao parto, de não ter agenda própria, de não poder programar férias e encontros com a família, além de sofrer pressões de operadoras de planos de saúde para a redução de exames e procedimentos indispensáveis ao exercício responsável da profissão e à segurança das pacientes.
 
Resultado: a procura por residência na especialidade despenca ano a ano.  A agravante é que até os médicos experientes estão deixando de fazer partos. Pesquisa Datafolha, encomendada pela SOGESP, em 2012, aponta que cerca de 15% de seus associados haviam deixado de exercer a obstetrícia em virtude da baixa remuneração, dos riscos de processos judiciais, entre outros problemas. Mas esse não é um fenômeno restrito à GO. Pacientes já têm muita dificuldade de encontrar atendimento em diversas áreas cirúrgicas devido à remuneração vil praticada na saúde suplementar.
 
Outros problemas que precisam ser encarados de frente, com responsabilidade e vontade política, foram postos em segundo plano pelo Ministério da Saúde e a ANS, na RN 368. Por exemplo: necessitamos de uma campanha permanente de conscientização sobre o parto no Brasil, pois muitas mulheres ainda chegam aos consultórios já dispostas a se submeter à cesariana por medo de dor ou outros tabus. E difícil é convencê-las do contrário. Registre-se que é direito da mulher escolher seu modelo de parto.
 
Fato é que as normas veiculadas na Resolução Normativa maquiam o problema, transferindo a culpa, injusta e irresponsavelmente, aos obstetras, a quando sua origem está na falta de ações públicas consistentes e resolutivas.
 
Destaque-se ainda que os números apresentados como referência e meta pelo Ministério da Saúde não condizem com a realidade. Nos Estados Unidos, há hospitais que têm média de 30% de cesarianas, na Inglaterra, cerca de 20, assim como na Espanha e em outros países europeus.
 
Não são números mágicos, retirados sabe-se lá de qual cartola, que melhorarão a assistência ao parto, como é objetivo dos médicos, sempre. Há de fato exageros na indicação de cesáreas, ninguém pode negar. O parto com hora marcada deve ser criticado, também é certo.
 
É fundamental, por outro lado, que o Ministério cumpra o papel de zelar pela saúde do coletivo, esclarecendo a população de que há situações em que a cesárea é o procedimento único para salvaguardar a saúde da mãe e do feto. Expor somente os prós do parto natural não diminui ou cessa os riscos provenientes do mesmo em determinados casos.
 
A missão que o Ministério deveria exercer, mas não o fez até agora, foi desempenhada dias atrás pela SOGESP ao informar em comunicado nos jornais que “existem indicações precisas para tanto, a exemplo, entre outras da placenta prévia centro total, da cesárea iterativa (duas cesáreas anteriores ou mais) e de incisões cirúrgicas prévias sobre o útero como acontece nas pacientes submetidas à retirada de miomas com preservação do útero (miomectomias prévias). Não considerar estas situações em que a cesárea é recomendada e se não realizada causará sérios danos à saúde da mãe e do feto é simplesmente demonizar a cesárea, aumentar a desinformação e causar insegurança às gestantes quando de sua internação para dar à luz.”
 
É absurdo não tratar de tais temas e ainda estabelecer que o médico seja classificado de acordo com o número de partos normais ou por cesarianas. O critério para a qualidade do profissional deve ser o resultado final: uma criança com saúde e uma mãe que saiu do trabalho de parto sem quaisquer complicações materno-fetais.  
 
Também é afronta estabelecer que os planos não pagarão honorários a médicos em situações de cesariana. Isso jamais será admitido pela APM e por nossas entidades de classe.
 
O Ministério da Saúde deve cobrar qualidade das maternidades, além de descredenciar as sem estruturas adequadas. Não fazê-lo é compactuar com as distorções do sistema. Aliás, a omissão da ANS resultou na situação atual. 
 
A APM quer acima de tudo expor o problema obstétrico do Brasil e não só discutir a via de parto. Já é hora de enfrentarmos de verdade a frágil infraestrutura de saúde deste País, na obstetrícia e em todas as outras especialidades em que a omissão, tanto do Ministério quanto das agências reguladoras, têm nos levado a acreditar que a saúde, assim como a educação e a segurança, vem sendo deixadas em segundo plano.
Estamos alerta e participaremos em todas as frentes possíveis para esta e todas as demais discussões que envolvam a saúde, a medicina e acima de tudo nossos pacientes.

Reajuste Anual de Honorários Médicos

RESOLUÇÃO NORMATIVA – RN Nº 364, DE 11 DE DEZEMBRO DE 2014

Dispõe sobre a definição de índice de reajuste pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS – a ser aplicado pelas operadoras de planos de assistência à saúde aos seus prestadores de serviços de atenção à saúde em situações específicas.

A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, em vista do que dispõem os incisos II e IV do art. 4o e os incisos II e IV do art. 10, todos da Lei n° 9.961, de 28 de janeiro de 2000; e o art. 17-A da Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998, alterada pela Lei nº 13.003, de 24 de junho de 2014, em reunião realizada em 10 de dezembro de 2014, adotou a seguinte Resolução Normativa, e eu, Diretor-Presidente, determino a sua publicação.
CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 1º Esta Resolução Normativa – RN, dispõe sobre a definição de índice de reajuste pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS – a ser aplicado pelas operadoras de planos de assistência à saúde aos seus prestadores de serviços de atenção à saúde em situações específicas.
Art. 2º Para fins do disposto nesta Resolução, considera-se:
I – prestador: pessoa física ou jurídica que presta serviços de atenção à saúde no âmbito dos planos privados de assistência à saúde; e
II – forma de reajuste: a maneira pela qual as partes definem a correção dos valores dos serviços contratados.
CAPÍTULO II
DO ÍNDICE DE REAJUSTE DEFINIDO PELA ANS
Art. 3º O índice de reajuste será definido pela ANS conforme disposto no § 4º do art. 17-A da Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998, incluído pela Lei nº 13.003, de 24 de junho de 2014, e será limitado ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA.
Art. 4º A operadora deverá utilizar o índice de reajuste definido pela ANS como forma de reajuste nos contratos escritos firmados com seus Prestadores quando preenchidos ambos os critérios abaixo:
I – houver previsão contratual de livre negociação como única forma de reajuste; e
II – não houver acordo entre as partes ao término do período de negociação, conforme estabelecido na Resolução Normativa – RN nº 363, de 11 de dezembro de 2014, art. 12, § 3º.
§ 1º O índice de reajuste definido pela ANS, quando preenchidos os critérios dispostos neste artigo, deve ser aplicado na data de aniversário do contrato escrito.
§ 2º O IPCA a ser aplicado deve corresponder ao valor acumulado nos 12 meses anteriores à data do aniversário do contrato escrito, considerando a última competência divulgada oficialmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.
Art. 5º O índice de reajuste definido pela ANS, nas situações em que couber sua aplicação, incidirá sobre o valor dos serviços contratados, com exceção de órteses, próteses, materiais e medicamentos que sejam faturados separados dos serviços.
Parágrafo único. Para as entidades hospitalares a aplicação do índice será conforme estabelecido no contrato.
Art. 6º Na inexistência de contrato escrito entre as partes, não se aplicará o índice de reajuste definido pela ANS.
Art. 7º Ao índice de reajuste definido pela ANS será aplicado um Fator de Qualidade a ser descrito através de Instrução Normativa.
§ 1º Para os profissionais de saúde a ANS utilizará na composição do Fator de Qualidade critérios estabelecidos pelos conselhos profissionais correspondentes em parceria com a ANS em grupo a ser constituído para este fim.
§ 2º Para os demais estabelecimentos de saúde a ANS utilizará na composição do fator de qualidade certificados de Acreditação e de Certificação de serviços estabelecidos no setor de saúde suplementar, em grupo a ser constituído para este fim.
CAPÍTULO III
DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS
Art. 8º Excepcionalmente, no primeiro ano de vigência desta Resolução, o índice da ANS será aplicável nos casos de contratos escritos sem cláusula de forma de reajuste e nos casos de contratos não escritos, observados os seguintes critérios:
I – existência de relação contratual pelo período mínimo de 12 meses; e
II – aplicação do índice na data de aniversário do contrato, para os contratos escritos, ou na data de aniversário do inicio da prestação de serviço, para os contratos não escritos.
Art. 9º Fica definido o prazo, contado a partir da vigência desta Resolução, de 2 (dois) anos, para os profissionais de saúde, e 1 (um) ano, para os demais estabelecimentos de saúde, para o início da aplicação do Fator de Qualidade.
Parágrafo único. Até a vigência da aplicação do Fator de Qualidade, conforme os prazos estabelecidos no caput, a aplicação do índice definido pela ANS, quando couber, será integral respeitando o disposto no §2º do art. 4º desta Resolução.
CAPÍTULO IV
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 10. O disposto nesta Resolução não se aplica a:
I – relação entre o profissional de saúde cooperado, submetido ao regime jurídico das sociedades cooperativas na forma da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, e a operadora classificada na modalidade de cooperativa, médica ou odontológica, a qual está associado;
II – profissionais de saúde com vínculo empregatício com as operadoras;
III – administradoras de benefícios.
Art. 11. O descumprimento do disposto nesta Resolução sujeitará a operadora às sanções administrativas cabíveis previstas na regulamentação em vigor.
Art. 12. Esta Resolução Normativa entra em vigor no dia 22 de dezembro de 2014.

ANDRÉ LONGO ARAÚJO DE MELO
Diretor-Presidente

CARTA ABERTA DOS MÉDICOS BRASILEIROS À ANS

Os médicos, por meio de suas entidades representativas aliadas em reunião ampliada da Comissão Nacional de Saúde Suplementar (Comsu), exprimem sua indignação com a atuação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que não tem cumprido seu dever legal de regular setor. Além de omissa, a Agência tem atuado em desfavor dos profissionais e em prol dos interesses das operadoras de planos de saúde, colocando em risco a assistência oferecida a 25% da população.
Apesar da inclusão do item relacionamento entre operadoras e prestadores de serviço na Agenda Regulatória da ANS 2013/2014 (contratualização e hierarquização), as demandas relativas aos médicos ainda não foram contempladas. Pelo contrário, a Agência tem anunciado ações que, na realidade, acirram conflitos e problemas no setor. Uma delas é a recente proposta, apresentada por meio da Consulta Pública nº 54/13, que supostamente responderia à necessidade de regras mais claras nos contratos entre prestadores de serviços e operadoras.
Após forte rejeição dos médicos, a proposta da ANS foi alterada e editada na forma da Resolução Normativa nº 346/14, que instituiu o Comitê de Incentivo às Boas Práticas entre Operadoras e Prestadores (COBOP). Contudo, a medida gera outras preocupações, pois induz à criação de mecanismos antiéticos, como a “redução da utilização dos modelos de pagamento por procedimento”. Na prática, a iniciativa resgata a polêmica tese do pagamento por performance, a qual é repudiada por beneficiar os empresários, em detrimento dos interesses dos profissionais e dos pacientes.
Desde 2010 as entidades médicas têm pressionado publicamente a ANS no sentido de se estabelecer um equilíbrio de forças no setor por meio da inserção de cláusulas obrigatórias em novos contratos entre médicos e planos de saúde. Em abril de 2012, as entidades encaminharam proposta de contratualização (com 15 itens) que tem sido ignorada pela Agência. Além disso, no fim de 2013, foi entregue sugestão para hierarquização de procedimentos, para a qual também não houve resposta.
Diante desse quadro de desequilíbrio instalado, onde as soluções apresentadas são inócuas e evidenciam o desprestígio aos interesses de profissionais e pacientes, os médicos brasileiros exigem da ANS:
1) A adoção dos critérios para a contratualização entre médicos e operadoras, tendo como base a proposta entregue pelas entidades médicas em abril de 2012;
2) A adoção da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) como referência para a nova hierarquização.
Ressaltamos que sem o atendimento dessa pauta mínima, com a qual a ANS assumiu compromisso ao editar sua Agenda Regulatória 2013/2014, há iminente risco de prejuízos na assistência oferecida aos cerca de 50 milhões de brasileiros que fazem uso dos serviços contratados.
Brasília, 28 de maio de 2014.

COMISSÃO NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR – COMSU

Reclame contra seu Plano de Saúde

Desse mal ninguém escapa.
Os abusos dos planos de saúde afetam pacientes e médicos.
Vamos lutar juntos por mais qualidade e respeito pela saúde.

Acesse o Site

Há pelo menos 15 anos, o que coincide com a sanção da Lei 9.656/98, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde, as entidades médicas denunciam inúmeros problemas na relação entre prestadores de serviços e operadoras de planos de saúde, o que prejudica diretamente os pacientes.
Da parte dos médicos e demais prestadores de serviços, como cirurgiões-dentistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e dirigentes de clínicas, laboratórios e hospitais, as principais queixas são: honorários indignos, muito abaixo do que preconiza a CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos); contratos sem índice de reajuste e periodicidade definidos; e interferência na conduta, por meio de glosas e negativas de cobertura.
Por outro lado e como reflexo dos problemas enfrentados pelos prestadores de serviços, os pacientes sofrem principalmente com redes credenciadas insuficientes, que não crescem na mesma proporção do aumento do número de usuários dos planos; longas filas de espera nos pronto-atendimentos; e dificuldades para marcar consultas, exames, procedimentos e para conseguir liberação para cirurgias.
Desta maneira, as entidades médicas, encabeçadas pela Associação Paulista de Medicina (APM) e pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), vêm mais uma vez a público reforçar as denúncias. Nesta edição de 2014 do Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, lançam uma campanha publicitária que será veiculada no Jornal Folha de S. Paulo, Revista Veja, UOL e TV do Metrô enfatizando as queixas.
A APM abrigará ainda uma central telefônica (0800 173 313) para receber denúncias e reclamações dos usuários, médicos e demais profissionais sobre os planos de saúde. Além disso, representantes dos médicos e outros profissionais da Saúde promoverão uma doação de sangue no dia 7 de abril, das 8h às 14h na sede da APM, em parceria com a Associação Beneficente de Coleta de Sangue (Colsan), sob o lema “Durante todo o ano, os planos de saúde enfiam a faca nos pacientes e tiram o sangue dos médicos. Hoje, estamos aqui espontaneamente para doar nosso sangue a quem realmente merece, os pacientes”. No mesmo dia, haverá um ato público às 11h.
Na própria segunda-feira (7 de abril), as entidades solicitam que os profissionais suspendam o atendimento eletivo aos usuários de planos de saúde, como forma de protesto contra as empresas, e remarquem o mais breve possível para não haver prejuízo aos pacientes. As urgências, emergências e cirurgias devem ser mantidas.

Participe você também desta luta, que é de todos!Imagem

Editorial do Jornal Ovale critica ANS e Operadoras de Plano de Saúde

Balcão da Saúde operadoras de planos privados precisam de regras mais rígidas

O desempenho medíocre da maioria das operadoras de planos de saúde na avaliação anual da Agência Nacional de Saúde Suplementar tem sido um fato recorrente sem que se defina critérios mais objetivos e eficazes para punir as empresas que perpetuam abusos contra os seus clientes.
A ANS tem se limitado a suspender a venda de novos planos nos casos em que a avaliação das operadoras de planos revela um quadro insustentável e de ameaça à vida de seus usuários. A punição é provisória e sempre pode ser revogada desde que a empresa em xeque sustente que tomou as providências necessárias para tornar o serviço mais eficiente.
Com relação às demais operadoras, não existem metas claras de melhoria no atendimento e, muito menos, uma fiscalização periódica dos planos de saúde. A agência vale-se das queixas encaminhadas pelo usuários ou dos relatos dos órgãos de defesa do consumidor.
Diante da leniência do governo, muitas operadoras transformaram a oferta de planos de saúde em um balcão ilimitado de negócios. Há muito mais usuários do que infraestrutura para os atendimentos médicos, com casos frequentes de retaguarda hospitalar deficiente ou precária e de acesso limitado a exames. Há uma escassez crônica de médicos especialistas, provocada pela utilização de tabelas de prestação de serviço com preços absolutamente defasados e irreais.
Com uma expansão exponencial de mercado nas últimas duas décadas, em grande parte consequência da ampliação do mercado formal de trabalho, a saúde privada já compete com o SUS em queixas dos usuários e gargalos aparentemente intransponíveis. Ressalvando-se as exceções, o problema é que se trata de negócio privado que, muitas vezes, vende a ideia enganosa de oferta de serviços médicos de qualidade à população. E não há ninguém no Executivo ou no Legislativo para disciplinar o negócio e coibir com mais rigor os abusos das operadoras.

http://www.ovale.com.br