Arquivo mensal: dezembro 2013

Editorial da Folha de São Paulo sobre o SUS

Folha de São Paulo 16/12
Há uma quase unanimidade, no Brasil, quanto ao imperativo de aumentar as verbas para o setor público de saúde. Ainda bem que ela não é completa, porque, como diz a célebre frase de Nelson Rodrigues, o consenso não produz a mais inteligente das opiniões.

Não se pode negar que falte dinheiro: o gasto público (3,8% do PIB) é quase a metade, em termos proporcionais, do que despendem outros países com modelos semelhantes ao brasileiro. No entanto, o argumento ignora que o Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta, além do subfinanciamento, um problema grave de ineficiência.

Qualquer investimento para aprimorá-lo, pois, deveria concentrar-se antes em reformar sua organização –e não em aplicar mais dinheiro do contribuinte numa estrutura que apresenta diversos vícios. Resolvê-los é a melhor maneira de fortalecer os inegáveis méritos do SUS e ampliar os conhecidos avanços que tem proporcionado.

A conclusão –que agora ganha o reforço de um relatório técnico do Banco Mundial para avaliar os 20 anos do SUS– pode não ser eleitoralmente rentável, mas é a correta.

Inúmeros especialistas reconhecem esse fato, mas o oportunismo político tem impedido que o tema ocupe o proscênio do debate sobre a saúde. Em lugar disso, o governo federal tira da manga o Mais Médicos. O programa rende votos e tem aspectos elogiáveis, mas nem resvala os problemas de ineficiência.

Estes são pelo menos três. O primeiro e mais óbvio é a baixa eficiência hospitalar. Dois terços dos estabelecimentos têm menos de 50 leitos, quando o padrão internacional preconiza pelo menos cem. São 3.500 unidades pequenas que, por definição, não têm demanda suficiente para justificar o custo.

Em segundo lugar, os hospitais atendem e internam pelo menos 30% de pacientes que não deveriam estar ali. São casos que poderiam ser tratados em ambulatórios ou acompanhados num sistema decente de assistência primária.

Por fim, há um número insuficiente de equipes de saúde da família, embora o montante tenha aumentado de forma expressiva nos últimos anos. Cada uma delas atende hoje 3.500 pessoas, e o próprio Ministério da Saúde tem por meta reduzir esse contingente para 2.000.

Nada disso se resolve sem dinheiro, por certo, mas ele não precisa sair sempre da expansão dos orçamentos. Mais racional seria começar pela economia de recursos, como dita o princípio da eficiência no trato da coisa pública. Mas isso é quase um anátema para a insalubre política nacional.

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Ranking da ANS aponta falhas no serviço de planos de saúde na RMVale

Notícia publicada no Ovale (http://www.ovale.com.br)
REGIAO
January 13, 2013 – 07:49
Ranking da ANS aponta falhas no serviço de planos de saúde na RMVale

Principais planos alegam que qualidade no atendimento é mantida e será melhorada ainda mais a partir do próximo ano; veja notas de planos que operam na região

Lauro Lam
Especial para O Vale

Uma avaliação de desempenho elaborada pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) revela que a qualidade do serviço prestado vem caindo. Batizado de Índice de Desempenho da Saúde Suplementar, a pesquisa avaliou os planos em uma escala que vai de 0 a 1, inscritos na ANS, durante o período de 2012.

Foram levados em conta critérios como atenção à saúde, dimensão econômico financeira, estrutura de operação, além da satisfação dos beneficiários. Poucos planos que operam no Vale do Paraíba tiveram boas notas.

O VALE fez um levantamento de nove planos de saúde, onde o Cime, ligado ao grupo Ativia, lidera o ranking negativo seguido pela Unimed São José (veja abaxo)
.
Crise.
O presidente da Associação Paulista de Medicina (APM) de São José, Sérgio dos Passos Ramos, afirma que os valores pagos aos médicos estão defasados. “A consulta paga pelos planos gira em torno de R$ 50, enquanto reivindicamos R$ 70. A maioria dos jovens médicos não atende mais pelos planos”, disse.

Segundo Ramos, existe uma crise no setor. “Muitos planos estão sendo vendidos para grupos internacionais. Médico e paciente estão pagando a conta mais alta.”

Pesquisa da APM encomendada ao DataFolha revela que 79% dos usuários de planos de saúde tiveram problemas nos últimos dois anos. “O ideal seria a formação de redes com ambulatórios próprios e médicos contratados”, diz o presidente da APM.

Reclamações.
A falta de entendimento entre pacientes e planos de saúde gera reclamações ao Procon de São José com frequência.

De acordo com o técnico do órgão, Sérgio Antônio Neves, as principais reclamações são sobre a falta de coberturas para cirurgias e exames, além da ausência de rede credenciada para atendimento.

“Quem for adquirir um plano precisa ver se a operadora tem inscrição na ANS e ler os contratos, verificando os prazos de carência”, afirmou.[TXT]

Outro lado.
Os planos de saúde com as piores pontuações de desempenho avaliado pela ANS se defendem. A Unimed de São José, por exemplo, informou que não obteve boa avaliação (0,49) referente a 2012, ano base 2013, em razão de investimentos que tiveram que ser feitos.

Em nota, a operadora explicou que teve que utilizar capital de terceiros, o que impactou sobre o resultado do patrimônio líquido, influenciando o desempenho. Segundo a Unimed, a empresa será melhor classificada na ANS no fim do ano que vem, utilizando os dados de 2013.

Já o Cime, ligado ao grupo Ativia e parceiro do Hospital Alvorada, em Jacareí, com a pior nota da região (0,48) disse que o desempenho foi melhor ao comparado com o ano anterior.

Segundo o plano de saúde, foram priorizados os investimentos na ampliação da rede de assistência médica e hospitalar, com a criação de três Centros de Especialidades Médicas, visando a satisfação dos clientes.

Para o Cime, o Hospital Alvorada é citado como parceiro no atendimento humanizado e na qualificação profissional.

SAIBA MAIS

Grupo São José: 0,79
Bradesco saúde: 0,73
Policlin: 0,71
Intermédica: 0,70
Sul América: 0,66]
Unimed Taubaté: 0,52
São Francisco: 0,50
Unimed São José: 0,49
Cime (Ativia): 0,48

Avaliação: de 0 a 1, sendo 0 o pior resultado

Editorial do Jornal Ovale critica ANS e Operadoras de Plano de Saúde

Balcão da Saúde operadoras de planos privados precisam de regras mais rígidas

O desempenho medíocre da maioria das operadoras de planos de saúde na avaliação anual da Agência Nacional de Saúde Suplementar tem sido um fato recorrente sem que se defina critérios mais objetivos e eficazes para punir as empresas que perpetuam abusos contra os seus clientes.
A ANS tem se limitado a suspender a venda de novos planos nos casos em que a avaliação das operadoras de planos revela um quadro insustentável e de ameaça à vida de seus usuários. A punição é provisória e sempre pode ser revogada desde que a empresa em xeque sustente que tomou as providências necessárias para tornar o serviço mais eficiente.
Com relação às demais operadoras, não existem metas claras de melhoria no atendimento e, muito menos, uma fiscalização periódica dos planos de saúde. A agência vale-se das queixas encaminhadas pelo usuários ou dos relatos dos órgãos de defesa do consumidor.
Diante da leniência do governo, muitas operadoras transformaram a oferta de planos de saúde em um balcão ilimitado de negócios. Há muito mais usuários do que infraestrutura para os atendimentos médicos, com casos frequentes de retaguarda hospitalar deficiente ou precária e de acesso limitado a exames. Há uma escassez crônica de médicos especialistas, provocada pela utilização de tabelas de prestação de serviço com preços absolutamente defasados e irreais.
Com uma expansão exponencial de mercado nas últimas duas décadas, em grande parte consequência da ampliação do mercado formal de trabalho, a saúde privada já compete com o SUS em queixas dos usuários e gargalos aparentemente intransponíveis. Ressalvando-se as exceções, o problema é que se trata de negócio privado que, muitas vezes, vende a ideia enganosa de oferta de serviços médicos de qualidade à população. E não há ninguém no Executivo ou no Legislativo para disciplinar o negócio e coibir com mais rigor os abusos das operadoras.

http://www.ovale.com.br

Reclamações de usuários sobre planos e operadoras de saúde são destaques

O aumento das queixas com relação à prestação de serviço dos planos e operadoras de saúde é destaque no boletim mensal da Comissão Nacional de Saúde Suplementar (Comsu). O informe, referente a novembro e dezembro de 2013, contabiliza, também, os números da pesquisa encomendada pela Associação Paulista de Medicina (APM).

De acordo com o levantamento realizado pelo Instituto DataFolha, sob encomenda da APM, 79% dos pacientes que recorreram aos planos de saúde nos últimos 24 meses conviveram com algum problema. Os mais frequentes foram a dificuldade para marcar consultas, a dificuldade para obter autorização para procedimentos de maior custo e conflitos no atendimento de emergência.

O aumento do faturamento das empresas de planos de saúde, em contraste com as reclamações dos usuários, também foi destaque desta edição do Boletim. Outro importante ponto sob crítica relacionou-se aos subsídios cedidos pelo Governo Federal às operadoras de saúde suplementar, que poderiam se utilizados no sistema de saúde público.

Além do descontentamento dos clientes dos planos de saúde, a luta da classe médica por honorários mais justos foi mencionada. O boletim mostra os resultados da reunião do Conselho de Defesa Profissional da Associação Médica Brasileira (AMB) para discutir a proposta da correção de valores da CBHPM (hierarquização dos procedimentos médicos), apresentada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Confira, na íntegra, o Boletim Comsu nº 24,

ANS divulga Índice de Desempenho da Saúde Suplementar

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou o Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS) 2013 – ano base 2012, e a evolução significativa do setor nos últimos cinco anos. O índice revela que 94,6% dos beneficiários de planos de saúde do país estão em operadoras que obtiveram nota igual ou superior à metade da pontuação máxima – ou seja, estão em operadoras com avaliação regular, bom ou muito bom. Todas as operadoras de planos de saúde ativas e com beneficiários nos 12 meses de 2012 foram avaliadas. A pontuação completa de cada uma delas no IDSS 2013 pode ser consultada no Espaço da Qualidade.

O IDSS é um dos componentes do Programa de Qualificação da Saúde Suplementar da ANS e é de extrema utilidade para o consumidor que precisa, por exemplo, contratar novos planos ou conferir como estão avaliados os serviços de sua operadora. O índice varia de 0 a 1 (zero a um), abrangendo a soma dos diversos indicadores para a avaliação global do setor. O IDSS considera quatro dimensões: assistencial (40%), econômico-financeira (20%), estrutura e operação (20%) e satisfação do beneficiário (20%). Ao todo, 33 diferentes indicadores dessas quatro dimensões são avaliados em cada uma das operadoras.