Vida e aborto

(Transcrito do jornal oVale – Artigo do Dr. Alvaro Machuca – Secretário de Saúde de Saõ José dos Campos
IDEIAS
April 5, 2013 – 04:01

Vida e aborto

O processo da vida na fecundação, não é só um momento onde duas células altamente especializadas, extraordinariamente dotadas e teleologicamente estruturadas e programadas, chamadas gametas: o óvulo e o espermatozóides, dão origem a uma nova vida, que se chama zigoto. Uma nova vida, diferente, autônoma e com fluxo de energia própria.
Mesmo antes da nidação (fixação do zigoto na parede uterina), esse novo ser já possui uma identidade genética própria, com autonomia biológica e uma capacidade de diferenciação ilimitada e uma perfeita interação com o organismo materno.
A própria leitura do DNA identifica de forma inequívoca que qualquer célula de nosso organismo é capaz de retratar com precisão um ser humano na sua total complexidade, visto ser único e irrepetível. A clonagem verificada em animais mostra que apenas uma célula matricial pode representar o ser da qual ela é extraída, na sua totalidade. As informações genéticas presentes em cada célula dão essa resposta com absoluta clareza.
Cientificamente, a partir do momento da fecundação, o embrião se desenvolve com autonomia e segurança durante todo o período da gravidez, sem nenhuma interferência externa, pois subsiste pelos nutrientes que chegam pelo cordão umbilical aconchegado e protegido pelo útero materno. Ele não faz parte do corpo da mãe, e qualquer tentativa de retirá-lo não passa de um crime covarde e que merece criminalização. A mulher tem todo o direito de decidir sobre o seu próprio corpo e não de uma vida indefesa que ela acolhe em seu ventre.
No site do Conselho Regional de Medicina, http://www.cremesp.org.br, entre “missão, visão e valores” está postado o juramento de Hipócrates e no texto se lê: “a ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substancia abortiva”.
É a preservação de vidas que merece nosso respeito, proteção e amparo. Distorções e manipulações de dados estatísticos criam expectativas falsas que o aborto é uma questão de saúde publica. A fome, a miséria, a falta de saneamento e de educação também deveriam estar incluídas no quesito saúde pública, pois também matam e há soluções: melhor educação, melhor distribuição da riqueza e melhor saúde.
Quando vemos o presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina) dizendo: “somos a favor da vida, mas queremos respeitar a autonomia da mulher que, até a 12ª. semana, já tomou a decisão de interrupção da gravidez”, sentimos profunda incoerência com os preceitos éticos e à vida que propomos promover, manter e prolongar, independentemente de “valores unilaterais” como tempo de gravidez, opções pessoais ou sociais.
O direito e a inviolabilidade à vida são garantidos pelo artigo 5º da nossa Constituição, sobretudo quando o nascituro encontra-se vivo, indefeso e à mercê de agressões por quem deveria defendê-lo.
As justificativas para que haja descriminalização do aborto são inúmeras e não se sustentam. A vida nascente precisa ter todas as chances para que se viabilize e se desenvolva. A sociedade brasileira, já reprovou a legalização do aborto na sua grande maioria, porque não escutá-la? A cultura da morte não terá espaço entre as pessoas que tem respeito e amam a vida.
Pilatos lavou as mãos e permitiu que atrocidades acontecessem com um inocente. Será que não está na hora de unirmos nossas mãos e darmos à sociedade o que ela realmente mais precisa: AMOR.

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