Arquivo mensal: janeiro 2013

Médicos terão horário máximo de trabalho

Flavio Dino, presidente da Embratur, conseguiu na Justiça Federal uma liminar obrigando a Anvisa a estabelecer um limite de carga horária para os médicos. O juiz Francisco Cunha determinou que a agência edite uma resolução fixando um limite para as jornadas de trabalho permitidas à categoria. A lei atual só vale para médicos com vínculo empregatício e servidores públicos, mas não abrange prestadores de serviço.

A briga de Dino começou no ano passado: seu filho, Marcelo, de treze anos, morreu no Hospital Santa Lúcia, em Brasília, onde foi internado em razão de uma crise de asma. À polícia, a médica que o assistiu afirmou que, no dia da morte de Marcelo, estava no batente havia 23 horas. Para se ter ideia, na Inglaterra um cirurgião não pode trabalhar mais de 48 horas semanais.

Fonte: Revista Veja

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Diretoria da APM se reúne com diretoria da UNIMED Paulistana

A Diretoria da Associação Paulista de Medicina recebeu o presidente da Unimed Paulistana, Paulo José Leme de Barros, acompanhado do diretor-secretário, David Serson, e do coordenador do Conselho Fiscal, Angelo Vattimo, no dia 18 de janeiro, quando estes tiveram oportunidade de apresentar quais são os problemas econômico-financeiros da cooperativa. Quanto à cobrança enviada aos cooperados recentemente na forma de chamada de capital, explicaram que a medida foi uma determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para a constituição da reserva financeira da Unimed Paulistana, no sentido de preservar o atendimento aos usuários.

leia mais http://apm.org.br/noticias-conteudo.aspx?id=8954

Classe médica retorna à Fundação Cultural

Em reunião na Fundação Cultural Cassiano Ricardo em 22 de janeiro, a APM São José dos Campos voltou a ocupar uma cadeira no Conselho Deliberativo da instituição, da qual estava afastada há quatro anos.

A APM, representada pelo seu presidente, Sérgio dos Passos Ramos, retorna ao seu lugar histórico, junto com a Associação dos Engenheiros e Arquitetos, Ordem dos Advogados do Brasil e Associação dos Advogados.

Escolas precárias na Bolívia iludem 20.000 brasileiros

A Revista Ser Médico do CREMESP publica matéria sobre Cursos de Medicina na Bolívia.

Santa Cruz de la Sierra, Bolívia. Pela manhã, milhares de estudantes brasileiros preparam-se para as aulas em alguma das cinco faculdades privadas de Medicina da cidade. A mesma cena se repete em Cochabamba e, em menor grau, em La Paz, Cobija, Oruro, Potosi e Sucre. São jovens e adultos cujo sonho de ser médico encontram nos preços irrisórios e nas vagas ilimitadas, sem vestibular, um caminho fácil para o diploma, mas que não garante uma formação adequada. A falta de ensino prático e muitos professores sem a habilitação necessária são problemas graves que repercutem no Brasil. Praticamente todos os estudantes querem voltar e exercer a profissão aqui.

Leia a matéria aqui: http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Revista&id=636

Planos de São José dos Campos e Jacareí entre os que menos remuneram

A SOGESP, Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, divulgou um RANKING das Operadoras de Saúde do Estado de São Paulo em relação aos pagamentos aos médicos.
O nome do Ranking é RASGOS e será ANUAL.
Neste Ranking as operadoras de São José dos Campos e Jacareí, São Francisco Vida, Atívia e Unimed de São José dos Campos estão no 19º lugar em relação ao valor das consultas.
Trata-se de um contra-senso já que é uma das regiões mais ricas do estado.
A íntegra do estudo pode ser encontrada em http://dv.rmcbrothers.com.br/sogesp/revista/0103/#/16/

Médicos inaptos: algozes ou vítimas?

Miguel Srougi

Médicos inaptos: algozes ou vítimas?

Mais importante do que abrir faculdades é aumentar as vagas para residência. Novos médicos são vítimas de um enredo perverso

Os últimos dias não foram de felicidade para os brasileiros. Entre outros motivos, descobriram que 54,5% dos médicos recém-formados da nação são inaptos para a profissão.

Não fiquei surpreso com o número e com a indignação. Afinal, lideranças e educadores médicos já conheciam a indecência e, impotentes, nunca conseguiram eliminá-la. Sem tergiversar, julgo que profissionais inaptos devem ser impedidos de exercer a profissão e que uma legislação impondo um exame de capacitação dos novos médicos já deveria ter sido promulgada.

Contudo, não posso deixar de expressar certa angústia quando dirijo um olhar a esse grupo. Confesso que nunca me deparei com um médico recém-formado que não acalentasse o sonho de se tornar um profissional respeitado. Se isso não se concretiza, suspeito que outras razões produzem o descompasso. Entre elas, a mistura de uma sociedade complacente e governantes incompetentes.

Como ignorar a influência negativa da sociedade, que se rejubila com a abertura de novas escolas médicas, iludida pela ideia de que estão sendo criadas maiores oportunidades para seus jovens? Cedendo a esses apelos e à pressão de empresários oportunistas, o governo federal autorizou, entre 2000 e 2012, a abertura de 98 novas faculdades, perfazendo um total de 198 escolas no país; nos Estados Unidos, habitado por 314,3 milhões de pessoas, existem 137 instituições similares.

Numa nação de dimensões continentais e insuportável desigualdade, seria racional que as novas escolas médicas fossem acomodadas em regiões remotas do Brasil. Contudo, 70% delas foram instaladas na região sudeste, rica e congestionada, e 74% são de natureza privada, cobrando taxas exorbitantes de alunos.

Contrariando as leis vigentes, a maioria desses centros não dispõe de instalações hospitalares adaptadas para o ensino e carecem de corpo docente qualificado. Isso indica que o processo foi norteado por interesses políticos menores e pelo anseio do lucro desmedido e predador.

Agravando esse cenário, autoridades federais têm dado demonstrações adicionais de inconsequência e de tolerância suspeita. Uma comissão especial do MEC presidida pelo professor Adib Jatene descredenciou, há um ano, algumas escolas médicas, pela baixa qualidade de ensino. De forma misteriosa e inexplicável, a Comissão Nacional de Educação cancelou, em fevereiro passado, a ação corretiva adotada. Resolução nefasta para a sociedade brasileira e auspiciosa para os mesmos predadores da nação.

Nossa presidente anunciou sua disposição de abrir mais 4.500 vagas para alunos de medicina (algo como 55 novas escolas). Num momento em que as universidade federais se encontram em estado de penúria, essa meta torna-se um devaneio descompassado com a realidade da nação.

Mais importante do que criar novas faculdades seria aumentar as vagas para residência médica. Cerca de 6.000 novos médicos formados a cada ano não dispõem de locais para realizar a residência, a etapa mais relevante para a formação de profissionais qualificados.

Outra proposta governamental, tão cândida quando descabida, é autorizar o trabalho em nosso país de médicos patrícios formados no exterior, sem exames de proficiência. Se 54,5% de médicos recém-formados inaptos causam indignação, como reagir ao fato de que em 2011, num exame oficial de revalidação de diplomas de 677 médicos graduados no exterior, 90,5% deles foram considerados inaptos?

Termino referindo-me a uma realidade que Riobaldo, o jagunço-filósofo de Guimarães Rosa, soube muito bem descortinar. “Um sentir é o do sentente, mas o outro é do sentidor.” Reconheço que as inquietações expressas sobre as aptidões dos recém-formados são justificadas por quem sente de fora. Mas como um dos que sentem de dentro, não posso deixar de dizer que, ao invés de algozes, a imensa maioria dos novos médicos da nação são vítimas de um enredo perverso que mistura uma sociedade permissiva, escolas médicas deficientes e governantes incapazes. Que transformam esperanças incontidas em sonhos frustrados.

Srougi é pós-graduado em Urologia pela Universidade de Harvard (EUA), professor titular de Urologia da Faculdade de Medicina da USP e presidente do conselho do Instituto Criança é Vida.

Texto originalmente publicado no Jornal Folha de S. Paulo – Caderno Opinião – edição de domingo, 6 de janeiro de 2013.